Doze semanas para que alguém volte a dar pela sua falta

Um plano prático para quem se separou ao fim de vinte ou trinta anos e ficou com a semana sem forma nenhuma. Oito exercícios de meia hora, três pontos fixos por semana, doze semanas.

Exemplo de uma semana com três âncoras: dia e hora fixos, sempre as mesmas pessoas, sem depender de convite de ninguém.

Quero o livro por 12,90 €

PDF, descarregável após a compra. 8 capítulos, 8 exercícios e o plano completo de doze semanas.

Capa do livro Ninguém Nos Ensinou a Estar Sós

Isto foi escrito para si se alguma destas frases lhe soa a coisa já pensada

  • Chega a casa entre as seis e as oito e há um segundo, um segundo apenas, em que o corpo ainda espera ouvir uma voz da cozinha.
  • Disse que sim a um convite e desmarcou às seis e meia com uma desculpa qualquer. Sentiu alívio e, logo a seguir, sentiu-se pior.
  • Ao domingo à tarde percorre a lista de contactos de cima a baixo e volta a pousar o telemóvel sem telefonar a ninguém.
  • Já lhe passou pela cabeça, com uma vergonha que não sabe onde arrumar, que ninguém daria pela sua falta durante três dias.

E se anda a achar que isto lhe aconteceu por ser um caso à parte, não é

Segundo dados do Eurostat, os casamentos que terminam em divórcio em Portugal duram, em média, 17,5 anos. É o segundo valor mais alto da Europa, a seguir a Itália. Quem se separa aos cinquenta e poucos depois de vinte e tal anos juntos não pertence a uma minoria estranha: pertence ao caso mais típico que existe no país. O que é raro não é a situação. É falar-se dela.

Há outro dado que talvez explique a sensação de que nada do que encontrou serve para si. Um estudo publicado na Aging & Mental Health, conduzido por investigadores da Emory University e da Universidad Mayor de Santiago, analisou 64.324 pessoas entre os 50 e os 90 anos em 29 países. Os autores apontaram os adultos de meia-idade como uma população crítica negligenciada, porque quase tudo o que existe foi desenhado a pensar em pessoas muito mais velhas.

Todas as fontes citadas no livro estão listadas no fim, com autores, revista e ano, para poder verificá-las.

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Não está partido. Está desmontado.

Uma coisa partida perdeu-se. Uma coisa desmontada está toda ali, só que as peças deixaram de estar ligadas umas às outras. É essa a diferença que muda o trabalho que há a fazer.

O que desapareceu foi a estrutura, não a pessoa

Durante os anos de vida em casal montou-se à sua volta uma estrutura invisível: rotinas, papéis, um grupo de amigos que era o grupo do casal, um formato para os domingos, uma pessoa a quem se contava o dia, um lado da cama. Quando a relação acaba, não se perde uma peça. Perde-se a ligação entre todas de uma vez.

Por isso a sensação predominante muitas vezes não é dor aguda. É desorientação. Não saber o que fazer ao domingo à tarde não é tristeza: é um problema de arquitetura. E arquitetura é trabalho, e trabalho pode-se fazer.

São duas solidões, e precisam de coisas opostas

Em 1973, o sociólogo Robert Weiss separou aquilo que toda a gente tratava como uma coisa só. A solidão emocional é a falta de um vínculo próximo, alguém que o conheça a fundo. A solidão social é a falta de uma rede, de um sítio onde se dá pela sua ausência quando não aparece.

Uma não substitui a outra. Vinte amigos não preenchem um vínculo em falta. E um vínculo, por melhor que seja, não preenche a falta de uma rede. Se tentar, é esmagado pelo peso. Uma separação longa costuma provocar as duas ao mesmo tempo, e é por isso que os conselhos que recebe raramente encaixam: atacam as duas com o mesmo instrumento.

A conta que explica porque é que sair mais não resultou

Em 2019, Jeffrey Hall publicou no Journal of Social and Personal Relationships dois estudos, com 355 adultos recém-mudados de cidade e 112 estudantes, para responder a uma pergunta simples: quantas horas de convívio são precisas para transformar um desconhecido em amigo.

  • 40 a 60 horas para passar de conhecido a amigo casual
  • 80 a 100 horas para passar a amigo
  • mais de 200 horas para chegar a amigo próximo

Agora faça a conta à estratégia que provavelmente já tentou: um jantar aqui, um copo ali, um evento por mês. Talvez trinta horas por ano, distribuídas por vinte pessoas diferentes. Hora e meia por pessoa. Não é uma estratégia pouco eficiente: é uma estratégia que matematicamente não pode funcionar.

Uma única atividade de duas horas por semana, com as mesmas pessoas, dá cerca de 100 horas por ano. Ao fim de seis meses está na faixa dos amigos casuais com várias pessoas ao mesmo tempo. Ao fim de um ano tem amizades reais. Duas horas por semana. É isso.

Daí as três âncoras

Se o que conta são as horas com as mesmas pessoas, a pergunta deixa de ser «como é que eu faço amigos», que não tem resposta prática e sugere que é preciso ser especialmente interessante, e passa a ser «onde é que eu acumulo horas com as mesmas pessoas». Essa tem resposta, e não exige carisma nenhum. Exige comparecer.

Três âncoras por semana: uma de atividade, uma de pessoas que já conhece, uma de si próprio. Dia e hora fixos, repetidas, sem depender de ninguém se lembrar de si. Três, e não sete, por ser um número que se cumpre mesmo nas semanas más.

Não vamos mexer na personalidade. Aos cinquenta e tal anos não se muda de temperamento, e tentar produz sobretudo a sensação adicional de estar a falhar. Vamos mexer na agenda.

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O que está diferente ao fim de doze semanas

Hoje, o fim da tarde é um buraco. A noite estende-se à frente sem forma nenhuma e é aí que os pensamentos andam às voltas.

Essa hora passa a ter dono. Há uma terça-feira em que sai do trabalho e vai direto para um sítio onde é esperado, sem ter de decidir nada.

Hoje, diz que sim e desmarca à última hora, porque aparece uma voz a dizer que ninguém está à sua espera.

Passa a ter uma folha de papel com a sua letra que lhe prova, caso a caso, que aquilo que a sua cabeça previu não foi o que aconteceu.

Hoje, há amigos de vinte anos que deixaram de telefonar e dói pensar neles.

Tomou café com pelo menos um. Percebeu ao fim de vinte minutos que a relação estava intacta e que o que faltava era alguém marcar.

Hoje, não há ninguém que dê pela sua falta.

Falta a uma coisa e alguém pergunta por si. Uma mensagem banal, do género «então, hoje não vieste?». É esse o sinal de que já pertence a alguma coisa.

Hoje, anda a adiar a pergunta sobre se quer ou não voltar a ter alguém na sua vida.

Tem uma resposta sua, decidida com calma, e não uma resposta tomada por medo do silêncio ou por pressão de quem lhe diz o que devia fazer.

E o que não muda em doze semanas

A falta de quem partilhou consigo metade da vida. Essa vai continuar a aparecer em datas, em músicas, em ruas, sem aviso e sem lógica. Este livro não promete curá-lo disso, e é razoável desconfiar de qualquer livro que prometa, porque não há método nenhum no mundo que consiga.

O que promete é outra coisa: que a falta deixe de ser a única coisa que lá está. Não vai deixar de sentir. Vai deixar de estar sozinho a sentir, com a agenda vazia e a casa em silêncio.

O que está lá dentro, capítulo a capítulo

Cada capítulo termina num exercício que se faz em menos de meia hora, sentado à mesa, com um caderno barato. Não há nada escondido: este é o índice completo.

  • Introdução O silêncio das seis da tarde Porque é que não é a tristeza que apanha primeiro, é a estranheza, e porque é que a solução não é esperar que o tempo passe.
  • Capítulo 1 Não está partido, está desmontado Sai com um inventário de quatro quadrantes: o que sobreviveu à separação, o que era do casal e os buracos que ficaram por tapar.
  • Capítulo 2 Duas solidões, dois remédios Sai a saber qual das duas pesa mais no seu caso, por qual começar, e com a sua hora mais difícil da semana identificada com precisão.
  • Capítulo 3 A voz que diz que ninguém o quer Sai com um registo de previsões sociais: escreve o que acha que vai acontecer antes de sair, e o que aconteceu de facto ao voltar. É o exercício mais longo do livro e o que tem mais retorno.
  • Capítulo 4 Reconstruir a agenda, não a personalidade Sai com um mapa da semana e com a hora mais difícil preenchida por uma coisa fixa, que não exige decidir nada no momento. É a intervenção mais rápida do livro.
  • Capítulo 5 As 200 horas Sai com três âncoras escolhidas por um filtro de cinco perguntas, uma lista de onde procurar em Portugal, e um prazo de oito sessões para avaliar sem desistir cedo de mais.
  • Capítulo 6 Os que ficaram e os que desapareceram Sai com uma lista de vinte nomes, cinco escolhidos, e frases concretas para reatar um contacto antigo sem que seja estranho e sem pedir desculpa pelo tempo.
  • Capítulo 7 O corpo, a casa e o dinheiro Sai com três correções pequenas: hora fixa de levantar, trinta minutos de caminhada por dia, e a casa a deixar de ser um museu. É o capítulo menos interessante e o que faz falhar todos os outros se for ignorado.
  • Capítulo 8 Voltar a namorar (ou não) Sai com uma decisão sua para os próximos três meses, respondida a três perguntas honestas, sem moralismos e sem o calendário que os outros acham que devia cumprir.
  • Conclusão O plano das doze semanas Junta os oito exercícios num calendário, bloco a bloco de três semanas, com um critério de avaliação concreto às semanas 3, 6, 9 e 12.
  • Nota final Quando um livro não chega Sinais de que é altura de falar com um profissional e onde procurar apoio em Portugal. Este livro é autoajuda prática, não é terapia, e diz isso com todas as letras.
  • Fontes Fontes e leituras Todos os estudos e dados citados, com autores, revista e ano. Inclui a nota que separa o que é facto estabelecido do que é proposta de método.
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O que recebe

  • Ninguém Nos Ensinou a Estar Sós, em ficheiro PDF
  • 8 capítulos, mais introdução, conclusão, nota final e fontes
  • 8 exercícios, cada um feito em menos de meia hora, à mesa, com um caderno
  • O plano das doze semanas, com a tarefa principal de cada semana e os pontos de avaliação
  • A lista completa de fontes: Weiss, Masi, Hall, Holt-Lunstad, Haslam, Eurostat e Pordata
  • 91 páginas

12,90 €

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PDF, descarregável após a compra. Lê-se no computador, no tablet ou no telemóvel.

Perguntas que é justo fazer antes de comprar

  • Já tentei sair mais e não resultou. Porque é que isto seria diferente?

    Porque «sair mais» é a estratégia que não pode funcionar, e o capítulo 5 mostra a aritmética: convites avulsos dão cerca de trinta horas por ano distribuídas por vinte pessoas, e ninguém sai do ponto de partida com hora e meia por pessoa. O livro não lhe pede para sair mais. Pede-lhe para concentrar as mesmas horas nas mesmas pessoas, todas as semanas.

  • Vou comprar e não vou fazer nada. Conheço-me.

    É uma preocupação legítima, e a estrutura do livro foi pensada para isso. Os exercícios fazem-se em menos de meia hora, sem preparação. O plano final distribui-se por doze semanas com uma tarefa principal de cada vez, precisamente porque quem tenta fazer tudo na primeira semana abandona na segunda. E há uma regra explícita para as semanas más: nunca falhar duas seguidas, e na semana má fazer uma coisa só.

  • Doze euros e noventa por um PDF. O que é que estou a pagar?

    Oito capítulos com cerca de dezanove mil palavras, oito exercícios completos com passos e folhas de trabalho, e um plano de doze semanas. O índice acima está inteiro, sem esconder capítulos, e as fontes estão todas listadas no fim com autor, revista e ano, para poder verificar cada número antes de acreditar nele.

  • Não encontro isto de graça na internet?

    Encontra os estudos: estão todos identificados no livro, e pode lê-los. O que não encontra facilmente é este material organizado para alguém entre os quarenta e cinco e os sessenta anos, em Portugal, com contextos que existem cá: universidades séniores, filarmónicas, ranchos, grupos de caminhada de junta de freguesia, coros de paróquia. Quase tudo o que há online sobre solidão foi escrito para idosos de oitenta anos ou para jovens ansiosos.

  • Separei-me há cinco anos. Já não é tarde de mais?

    Não, e o capítulo 1 tem uma secção só sobre isso. O que torna a solidão prolongada difícil de quebrar não é o tempo decorrido: é que ela produz as provas de que precisa para se manter. O ciclo é o mesmo ao fim de seis meses e ao fim de seis anos, e quebra-se pelo mesmo sítio.

  • Isto substitui um psicólogo?

    Não, e é importante ser claro: o livro é autoajuda prática, não é terapia nem acompanhamento clínico. Se a sua situação chegou a um ponto em que interfere com dormir, comer ou funcionar no dia a dia, ou se aparecerem ideias de não valer nada ou de a vida não fazer sentido, este livro não é o passo certo agora. É matéria para uma consulta. A nota final indica sinais de alerta e onde procurar apoio em Portugal.

  • Não tenho tempo para mais um projeto.

    Os exercícios foram desenhados para menos de meia hora cada, e não são todos ao mesmo tempo: são um por bloco. A parte que exige tempo real na agenda são as três âncoras, e uma delas é um encontro fixo com alguém que já conhece. A âncora de atividade são duas horas por semana.

  • Como sei que isto não é apenas opinião de alguém?

    Porque cada afirmação de facto está atribuída. Weiss (1973) para os dois tipos de solidão, Masi e colegas (2011) para o que funciona nas intervenções, Hall (2019) para as horas, Holt-Lunstad e colegas (2015) para o efeito na saúde, Haslam e colegas para a identidade social, Eurostat e Pordata para os números portugueses. E há uma nota final que diz o contrário do que costuma dizer-se: as recomendações práticas do livro são propostas de método construídas a partir desses princípios, não protocolos clinicamente testados.

Só tem de decidir a semana 1

Ao fim de doze semanas, uma pessoa com três âncoras, meia dúzia de nomes novos, dois contactos antigos recuperados e uma semana com forma já não é a mesma pessoa que abriu o livro na primeira página, mesmo que por dentro a sensação seja parecida.

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PDF, descarregável após a compra. 8 capítulos, 8 exercícios e o plano completo de doze semanas.